Pão caseiro ou pão industrializado?

pão-industrializado

O mercado de pães industrializados cresce ano a ano no Brasil. Lançamentos de opções integrais, light e multigrãos se espalham pelas prateleiras dos mercados e convidam o consumidor a experimentar novos sabores e opções mais saudáveis. Será? Você realmente sabe se o que está dentro da embalagem chamativa é tão bom quanto se diz?


Pães industrializados são inegavelmente práticos: basta procurar uma das muitas opções disponíveis, remexer a pilha em busca do pão com prazo de validade mais longo (sim, todo mundo faz isso…) e levar a iguaria para casa. Você pode escolher o pão integral, o de “500” grãos saudáveis e essenciais à sua saúde que você nunca viu antes mas não pode mais viver sem eles e, se sentir que está ficando fora do peso, pode optar pelo light, afinal, light não engorda, certo? Que diferença entre a variedade e a praticidade dos pães industrializados e o trabalhoso pão caseiro… Mas será que a troca compensa? Você realmente sabe o que está levando quando compra um pão industrializado?

Pães integrais: Pães integrais devem ser feitos com farinha integral, ou seja, farinhas que usam o grão inteiro no processo de produção. Os pães integrais industrializados são, na sua maioria, feitos com farinha comum e fibra ou farelo de trigo, ou seja, casca de trigo triturada  até virar farinha. A farinha de trigo integral é muito mais que farinha comum e farelo. Ela contém carboidratos complexos, vitaminas, minerais e antioxidantes que são perdidos no processo de fabricação da farinha comum…

Muitas opções de pão industrializado são formulados com outras farinhas “integrais” além da farinha de trigo. Pães de centeio e de aveia são dois exemplos muito comuns. O problema é determinar qual a proporção de farinha destes cereais é usada na composição do pão. Não há regulação oficial sobre esta questão, e cada fabricante coloca quanto quer, pois até mesmo uma quantidade mínima faz com que o pão possa ser vendido como “pão de centeio” ou “pão de aveia”. Você pode notar isto claramente se puder olhar pães de centeio de várias marcas: cada marca tem um pão mais escuro ou mais claro que as demais, consequência, teoricamente, da quantidade real de centeio usada na receita. Teoricamente porque há marcas que lançam mão de mel e até corantes para reforçar a cor.

Pães multigrãos: Assim como no caso do centeio e da aveia, os chamados “pães multigrãos” também não são regulados e qualquer quantidade dos famosos grãos já justifica o adjetivo. Há pães no mercado que apresentam teores mínimos, como 3% do volume. E, em sua absoluta maioria, estes pães são formulados com farinha de trigo comum + farelo e não usam a farinha dos grãos, apenas os próprios grãos, inteiros ou parcialmente fracionados, o que prejudica a absorção adequada de seus nutrientes pelo organismo. De que adianta comprar um pão “trocentos” grãos, mais caro, se muitos dos grãos passam intactos pelo aparelho digestivo?

Teor de sódio: Alguns pães industrializados contém teores de sódio muito altos. Há casos em que apenas 10 fatias de pão atingem o limite recomendado de ingestão diária de sal!

 Aditivos químicos: Para melhorar a farinha, conservar, manter a textura, o sabor e para manter o padrão na produção, os pães podem receber vários aditivos químicos, como emulsificantes, suavizantes, umectantes, estabilizantes e anti-mofo. Sua função é interagir com o glúten, a aguá e a gordura para estabilizar a massa e aumentar o prazo de validade dos pães. Ingredientes como “monoglicérido de ácidos graxos esterificados com diacetil-tartárico”, “lactilato de cálcio”, “sarbitol”, “Buti-hidroxi-anisol”, “Buti-hidroxi-tuluol”, “propionato de cálcio” certamente não aparecem nas receitas de pães caseiros e artesanais.

Gordura vegetal: Embora esteja em processo de banimento pela indústria, vários produtos ainda contém gordura trans em sua composição, e boa parte dos pães industrializados usa gordura vegetal hidrogenada ou interesterificada. Este novo processo, a interesterificação, consiste em acrescentar um catalizador químico à gordura vegetal. O resultado não gera gordura trans, como na hidrogenação, mas aumenta o teor de gordura saturada, que também é danosa. A falsa sensação de segurança está na tabela nutricional, impressa na embalagem. Muitas marcas apresentam os valores baseados em uma porção de 50g do produto, que acaba indicando valores muito baixos de gordura saturada. O problema é encontrar alguém que coma apenas 2 fatias de pão…

Sabor e textura: Embora sejam fatores menos científicos, vale a pena ressaltar que o sabor e a textura dos pães industrializados não se compara ao sabor e a textura de um pão caseiro das mesmas características. Compare e comprove!


Fontes:
http://www.fundipan.org.br/Downloads/conservacao_do_pao_ea_confeitaria.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gordura_interesterificada
http://ecocheervegan.com/nutricao-vegetariana/67-a-farsa-dos-paes-de-forma-integrais-

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